É possível acabar com a internet no Brasil?
A
internet mundial é mais frágil do que você imagina. Saiba como ela pode ser
facilmente interrompida.
Na última
quarta-feira (25 de abril de 2012), quatro estados brasileiros sofreram com um apagão em
boa parte do sistema de telecomunicações. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do
Sul e São Paulo tiveram o sinal das operadoras GVT, TIM e Vivo cortados ou
desestabilizados. E o motivo para termos tantas pessoas sem acesso à internet
ao mesmo tempo? O rompimento de um cabo de fibra óptica.
Sim, o
rompimento de cabos pode fazer com que porções inteiras de um país fiquem
totalmente “no escuro”. O caso ocorrido nesta semana mostra a fragilidade do
sistema de internet brasileiro e ainda nos traz uma pergunta: “É possível
acabar com a internet brasileira de uma só vez?”.
Problemas lógicos X Falhas físicas
Existem
duas formas de fazer com que toda a internet de um país seja interrompida. A
primeira delas é derrubando as conexões de servidores DNS, fazendo com que os
sites não consigam ser encontrados pelos internautas. Esse seria um “apagão
lógico” da rede mundial de computadores.
Mapas dos backbones brasileiros,
em 2010. (Fonte da imagem: Reprodução/A Rede)
Outra
possibilidade: caso toda a estrutura das empresas operadoras do sinal de
telefonia e internet seja desativada, redes domésticas, empresariais e
governamentais não conseguirão identificar servidores DNS ou obter endereços
IP. Logo, não será possível se comunicar com as centrais e receber pacotes de
dados.
E há
problemas mais difíceis de serem resolvidos? Sim! Da mesma forma como aconteceu
na última quarta-feira, o rompimento de cabos de fibra óptica podem deixar
estados inteiros sem conexão. Mas não pense que se trata apenas de um cabo
comum – são gigantescas estruturas chamadas “backbones”.
A importância dos backbones
Em
português, “backbone” significa “espinha dorsal”. E essa denominação não
aconteceu por acaso. Backbones são ligações amplas entre sistemas de redes
muito mais complexos do que os domésticos. Fisicamente, são compostos por uma
quantidade imensa de cabos de fibra óptica.
Um longo caminho é percorrido até
aqui. (Fonte da imagem: iStock)
Somente
dessa forma eles conseguem comutar os enormes fluxos de informação recebidos
(voz, dados, vídeo etc.), demandando ainda equipamentos de alta capacidade para
evitar perdas de sinal e dados. Vale dizer também que existe uma colaboração
entre várias empresas dedicadas à transmissão de sinal por fibra óptica. É a
troca de tráfego (ou peering), coordenado pelo PTTMetro
do Comitê Gestor de Internet.
Por que somos ligados por cabos?
De uma
maneira bastante direta: porque são eles que garantem as altas velocidades de
conexão. Há outras formas de levar a internet até sua casa, mas sistemas de
transmissão por rádio e satélite não são muito estáveis – e até mesmo eles
precisam dos cabos para enviar os dados até as centrais mais avançadas.
(Fonte da imagem: ShutterStock)
Infelizmente,
as principais rotas de dados são compostas por limitadas – e mal distribuídas –
estruturas no país. A GVT, por exemplo, possui três redes que enviam os dados
de São Paulo para o sul do Brasil. A principal delas foi completamente rompida
(impossibilitando qualquer comunicação) e as secundárias não suportaram a
demanda, ficando completamente instáveis.
Para que
a internet não fosse prejudicada, seria necessário que os cabos e roteadores
utilizados nas rotas alternativas fossem tão capazes de transferir grandes
fluxos de dados em longas distâncias quanto os da rota principal. O problema é
que isso custa caro – muito caro mesmo –, afinal de contas, são centenas e mais
centenas de quilômetros.
Entendendo as rotas
O
administrador de redes, Diego Paludo, nos deu uma dica bem interessante. Para
entender melhor como é o caminho percorrido pelos dados de um servidor até o
seu computador, você pode traçar a rota deles com o Prompt de Comando do
Windows. Para isso, basta abrir o aplicativo e digitar o comando tracert
(espaço) site. Por exemplo: tracert Tecmundo.com.br. No Linux, abra o terminal
e substitua “tracert” por “traceroute”.
Redes móveis também dependem de cabos
Pegue o
seu celular com internet 3G nas mãos e tente navegar. Você não verá nenhum cabo
envolvido no processo, mas a verdade é que, para os dados chegarem até o seu
aparelho, eles passam pelas antenas das operadoras, que precisam dos cabos para
suportar o alto fluxo de informações.
(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons - BigRiz)
E é por
essa razão que os clientes de duas das maiores operadoras de telefonia móvel do
Brasil ficaram sem conexão de dados (e até mesmo de voz) durante o apagão. Toda
a estrutura de redes de longa distância das operadoras TIM e Vivo na região sul
é fornecida pela GVT. Logo, os celulares também foram atingidos.
Consequências
Se todos
os fluxos de dados forem interrompidos no Brasil, você sabe o que deixará de
funcionar? Praticamente tudo. Nada que demanda conectividade externa poderia continuar
em operação. Centros de pesquisa teriam que abandonar suas atividades, assim
como diversos outros órgãos.
Isso
inclui instituições bancárias (que precisam da internet para se comunicar com
as centrais), operadoras de cartão de débito e crédito (só seriam possíveis
transações em espécie) e até mesmo mercados (principalmente os que possuem
sistemas mais complexos de controle de estoque).
.....
Como você
pode ver, é mais fácil acabar com a internet brasileira do que pensamos. Contar
com poucas rotas de distribuição torna o processo de envio de informações
bastante limitado. Você já sabia que a estrutura da internet brasileira era tão
frágil?
Fontes: Centro de
Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações, A Rede, Comitê Gestor de Internet e Inteligência em Comunicações.
Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/internet/22730-e-possivel-acabar-com-a-internet-no-brasil-.htm#ixzz1tC8PZG9W




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